A conferência internacional “Terra, territórios e alimentos na Colômbia” foi realizada pelo Professor Héctor Mondragón Baez (PUC-SP), economista, pesquisador e consultor de movimentos sociais e de povos indígenas na Colômbia durante a abertura do II Encontro Brasil-Colômbia e do VIII Seminário do PPGCS-UFRB.
Os dados apresentados durante a explanação referem-se a economia do setor agrário no país de origem do palestrante. Os conceitos desenvolvidos por Mondragón Baez refletem sobre as forças que barram a ascensão
social das populações e o fortalecimento político-democrático na América Latina, como o colonialismo, representado hoje por grandes projetos de desenvolvimento idealizados por grandes corporações capitalistas, a concentração de poder no sistema de coronelismo e na estrutura de grandes latifúndios, o neoliberalismo destruidor das conquistas da classe trabalhadora e suas reivindicações,
Mondragón também destacou a sabotagem, a exemplo do embargo à Venezuela, que mostra “um povo que morre de fome”. Para o professor, num modelo de empresa colonial, o único “ser” é o colonizador. Trata-se de uma filosofia pela qual o outro “não é”: assim, o professor da PUC-SP defende a ideia de que campesinos retirados de suas terras, povos indígenas expropriados, a classe trabalhadora explorada, não “morrem” e sim, “perecem”, pois “para morrer é preciso ser”. Estas populações passam a ser vistas como obstáculos a projetos para o “bem comum”, como barragens, mineradoras, empresas importantes para o desenvolvimento. O conferencista também questiona o caráter deste termo: afinal, tais projetos são importantes para o desenvolvimento de quem?
Mondragón afirma ainda que “quem perde o território perde o corpo”. Ele ressalta o grave problema de desperdício de terras na Colômbia, em que “os que mais terra têm menos plantam”. A grande população pobre tem dificuldade de acesso a nutrientes. A falta de alimentos é, para o professor, o outro lado da moeda da expropriação e concentração de terras.
Há também uma esperança ao meio de tanta dominação. Mondragón afirma que, por sua experiência em movimentos sociais, a organização do povo é a chave para o problema. “A coesão do movimento indígena permite-me manter meu coração palpitando esses 30 anos”, conta. O movimento organizado que, ainda que exija anos de resistência, pode ter sucesso, e menciona grandes mobilizações populares na Colômbia – como greves nacionais, de professores, estudantes, mulheres e vítimas de violência. A lição que fica é de que, nas palavras do professor da PUC-SP, “são as massas que têm a capacidade de mudar a situação”.
Edição: Vaneza Melo/ reportagem Danielle Gama/ Foto Anástacia Flora Oliveira
