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A ideia de rede permeia o diálogo da terceira mesa-redonda desta terça-feira no II Encontro Brasil-Colômbia e no VIII PPGCS-UFRB

A última mesa-redonda desta terça no II Encontro Brasil-Colômbia e o VIII Seminário do PPGCS-UFRB trouxe como tema a educação, tecnologia e cultura. A coordenação foi realizada pelo professor Maurício Silva (UFRB) que recebeu como palestrantes André Lemos (UFBA/UFRB), Marco Antonio Almeida (USP) e  Pedro Luis Huergo Tobar (Universidad Cooperativa de Colômbia/Sede Neiva) que evidenciaram a ideia de rede ao explanarem o tema proposto. 

André Lemos, Professor Titular do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da UFBA,  colocou como reflexão a mediação para compreender a relação entre cultura e tecnologia. De acordo com Lemos, a mediação é um processo que tem várias conexões entre pessoas e objetos, permitindo assim um contexto. O professor da UFBA deu como exemplos lugares ou espaços que têm funcionalidades, como um auditório que propõe ao sujeito um determinado comportamento, ou uma self que é uma relação entre a câmera, o dispositivo, o aplicativo e o autorretrato. 

Para Lemos, o processo de mediação entre tecnologia e cultura afeta o cotidiano, evidenciado cada vez mais a utilização dos algorítmos (sequências finitas de instruções definidas e não ambíguas) que funciona como um mediador na sociedade atual. “Se eu colocar no Google a palavra “café”, e eu estiver em Cachoeira, surgirá o café em Cachoeira. Isso acontece porque o acesso ao Google identifica o IP da máquina. É um rastro”, explica.

Além do processo de mediação, André Lemos alerta para a importância de politizar os objetos como análise da própria mediação. Não se trata de só utilizar celulares, computadores, mas as mudanças que ocorrem nos comportamentos das pessoas, nas atividades do mercado econômico, a partir da utilização desses objetos. Pensar em processo de mediação é estar associado. Lemos lembra “me associe, logo existo”, explicitando as formas de comunicação aplicadas a várias redes sociais.


Já Marco Antonio Almeida, Livre-Docente em Ciência da Informação e Documentação pela USP, complementa a ideia de rede lançada por Lemos. Atualmente, o professor da USP tem uma extensa pesquisa sobre políticas e práticas culturais e informacionais. Durante sua explanação, ressaltou o desafio em repensar as políticas culturais através da pesquisa que realiza sobre as práticas culturais da informação em ambientes infocomunicacionais ligados ao mundo digital. 

Para Almeida, a mediação percorre dois caminhos: ações e políticas culturais desenvolvidas em instituições (como museus, ONGs, associações), considerando a infraestrutura e gestores, técnicos e usuários. O segundo caminho considera as mediações proporcionadas pela tecnologias de informação e comunicação nos processos de produção e distribuição cultural e foca na análise como as mediações atuam sobre os produtos culturais.    


Almeida deu como exemplo uma associação na Cidade Tiradentes, bairro da zona leste de São Paulo, que ganhou um edital da prefeitura que utilizava celulares para fazer intervenções poéticas, convocando a comunidade para participar. “Eram os grafites digitais”.

Desta forma, Almeida afirma que “as tecnologias, mesmo que problemáticas, possibilitam novos meios de recursos para a criação cultural e dinamizam as relações socais”.


De um lado, André Lemos mostrou a importância da análise mais apurada sobre a cultura digital e Marco Almeida complementou com a questão de como a tecnologia pode fomentar as relações sociais em ambientes que já são projetados para oferecer ações culturais. 

Para completar a proposta desta mesa, o professor Pedro Luis Huergo Tobar da Universidad Cooperativa de Colômbia com sede em  Neiva, Colômbia, propõe um aprendizado continuo, tendo como meta o aperfeiçoamento do trabalho em equipe na área administrativa.

Tobar considera que a formação acadêmica é importante para o mercado de trabalho e acredita que a qualidade do aprendizado é responsabilidade do meio acadêmico. A ideia principal de sua pesquisa é o associativismo, propondo uma ligação em rede entre os participantes. “A academia é responsável porque formamos pessoas para um mundo capitalista, tão individualista. Damos um norte quando abordamos a autogestão de grupos, uma ferramenta para se atingir um lucro”.

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